quinta-feira, 15 de março de 2012

Borboletas


Sabe aquela história de cuidar do jardim? Descobri – tardiamente – que realmente eu preciso cuidar das minhas rosas, margaridas, bromélias, árvores, horta, meu pomar e, muito importante, minha grama – que é onde ficam as raízes de tudo. Descobri que preciso regar as plantas, podar as plantas, plantar e replantar e verificar se não estão secas ou úmidas demais. Preciso esperar o sol, aguardar a chuva, viver no jardim cada tempo à espera dos brotamentos. Depois que brota, floresce grande se você cultivar...

E aí sim, cultivando as plantas que escolhi – e algumas que também não escolhi – eu espero as borboletas. Mas calma! – não precisa ser a primeira, nem a segunda. Uma borboleta que goste do jardim e que o torne mais feliz, mais colorido e até mais vivo. Que o faça suspirar, em sintonia com um ritmo alegre de ser. Uma borboleta que escolha morar ali – não por uma manhã, ou uma tarde, ou somente quando houver sol que é para pousar livremente nas flores belas. Não... uma borboleta para todos os climas e para todas as flores. Uma borboleta que seja parte do jardim, e do qual o jardim seja parte também. Uma borboleta que não se vá... e que, se por acaso um dia for, saiba voltar.

Se eu não cultivar meu jardim, talvez se achegue uma borboleta negra na chuva. Uma borboleta breve no sol. “Ah, não é muito bom mas dá pra ficar um pouco...” Borboletas negras não se importam tanto com jardins bonitos. As plantas serão secas. Haverá mato sufocante, e até as flores amáveis serão impessoais. Ou envelhecidas, ou feias pela falta de desvelo. Porque é isso – simplesmente falta de desvelo, de cuidado e de amor. Cuidar exige amor... amar exige paciência... paciência exige fé. Acredite na beleza de suas flores. Acredite no sol que virá – não importa de onde, acredite na chuva que também descerá e que depois passará. Acredite nas borboletas que acreditarão em seu jardim, e o farão lar.

Seja um lar de onde não se queira ir embora. Quem primeiro mora em seu jardim é você! As borboletas virão. Você apenas precisa ter um bom lar, onde possa você mesmo morar, e depois outros...

Mas não será um lar finalizado; será, ao contrário, uma morada cultivada todo dia, com mãos que amam. O amor torna as coisas belas. E vivas. E novas. Borboletas coloridas voam para o amor. E o amor, sem que se veja, voa às borboletas que amam...

6 comentários:

  1. Forte como as raízes de um jardim. Leve como as asas de uma borboleta.
    Uma lição de fé, de amor, de cuidar. Lindo!
    Beijo

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  2. Oi Leila,

    tão linda a forma como falas de jardins. Só uma alma leve como a tua save sentir e por em palavras com tamanho encanto.

    Um abraço!

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  3. Paciência exige fé,muito verdadeiro. Gostei da forma como lidou com amor e relações,sutil mas honesto.

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  4. Olá! fiquei ABISMADO ao ler seu texto, isso por que no ultimo dia 14 de Março postei no meu BLOG www.momentoselisvaldosilva.blogspot.com o texto: VOLTE AO JARDIM e apercebi que ambos tanto o seu texto que é incrivel quanto o meu texto rezam o mesmo conceito, como não acredito em coincidências fico muito feliz em perceber que há um proposito maravilhoso de DEUS para corações feridos que precisam VOLTAR AO JARDIM, que precisam cultiva-lo para receber lindas BORBOLETAS.
    Fica com DEUS, te admiro muito, abraço!!!

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  5. Olá, Leila! Gostei muito do seu blog: essência e conteúdo na medida certa. Parabéns pelo excelente trabalho ( essa epígrafe do livro eu vou copiar e colocar no meu Facebook). Quando tiver um "tempinho", apareça no meu pequeno espaço; terei o maior prazer em recebê-la. Um abraço!

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