sábado, 25 de agosto de 2012

Palavras



Eu descobri que as pessoas que mais me amavam não eram aquelas que a toda hora me diziam “te amo”, como se precisassem provar alguma coisa; descobri que as pessoas que mais me amavam eram aquelas que nem sempre diziam “te amo” – ...
essas duas palavras tão gastas na couraça do tempo –, e que às vezes nem mesmo faziam declarações ou dedicavam poemas e músicas que diziam, basicamente, “te amo”. Não... não eram elas.

Eu descobri que as pessoas que mais me amavam, e que talvez realmente me amavam, eram em geral aquelas que, muitas vezes sem dizer nenhuma palavra, tudo diziam com um olhar ou uma atitude inesperada. Ou necessária. Ou pura... Aquele tipo de atitude que não pede nada em troca, porque o amor se basta em amar quem ama.

Eu olho esse mundo mergulhado em palavras e explicações como outdoors do amor, e penso em como poderia ser mais simples se as pessoas entendessem, e eu mesma entendesse que o que importa no fim é o que você fez e não o que você falou. O que você foi, e não o que você pareceu. O que você tocou... Há um lugar onde as palavras não podem chegar, e atravessando o bosque escuro da verdade você descobre que o amor é terra da coragem. E que só amam aqueles que têm a coragem de cultivá-la... No silêncio belo das mãos calejadas.
 
 

Leila Krüger. 2012.

Um comentário:

  1. Lindo! Me sinto transbordando depois de ler um texto tão maravilhoso, parabéns!

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