quinta-feira, 26 de julho de 2012

Artistas


"Você não me ama", diz você a mim.

E eu digo: "Eu te amo do meu jeito". Com um quase sorriso quase feliz.
...
Eu te amo do meu jeito. Eu te maltrato do meu jeito, eu te abandono e te resgato do meu jeito, e você não vai embora. Você disse que eu sou a cor do seu amor, e eu misturo todas as cores tentando te inventar. Quem é você? Que inutiliza minhas paletas, que debocha dos meus pincéis e faz o arco-íris parecer cinza perto de um espectro novo de vida? Quem é você, que eu amo do meu jeito sem saber quem sou? Quem é você que transforma rosas em cálices e me faz beber a dúvida, e ir sem ver? Eu só vejo você.

Você é artista, mesmo, e faz Dalí parecer previsível com seus relógios derramados. Somos dadaístas, dadaístas do amor. Somos do nosso jeito, da nossa cor e do nosso laço. Somos nós.

Mas se o amor tem uma cor, seja a cor dos teus olhos quando se fecham para me ver...
 
 
 
 
Leila Krüger. 2012.
 
 
 
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  Lembrando que dá pra ler o primeiro capítulo no site:

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Majela Colares

Pessoal, vou estar divulgando aqui às vezes o grande escritor e crítico (mais de 10 livros) Majela Colares, meu amigo. Recentemente lançou o livro de poemas "Memória Líquida", pela Confraria do Vento, Rio de Janeiro, com orelha escrita pela reconhecida escritora Ana Miranda e prefácio do renomado crítico André Seffrin (que também leu meu romance "Reencontro" e me escreveu com críticas muito positivas!)

MAJELA COLARES, poeta e contista, (Limoeiro do Norte, Ceará, julho de 1964). É graduado em Direito. Reside em Recife desde 1992, cidade onde deu inicio a sua trajetória literária. Publicou os seguintes livros: POESIA: Confissão de Dívida, 1993, Biblioteca o Curumim Sem Nome – Fortaleza; Outono de Pedra, 1994, Editora Giordano – São Paulo; O Soldador de Palavras, 1997, Ateliê Editorial – São Paulo; A Linha Extrema, 1999, Editora Calibán – Rio de Janeiro; Confissão de Dívida e Outros Poemas, 2001, Editora Calibán – Rio de Janeiro; O Silêncio no Aquário / Die Stille im Aquárium, 2004, edição bilíngüe português-alemão, tradução de Curt Meyer-Clason, Editora Calibán – Rio de Janeiro; Quadrante Lunar, 2005, Editora Calibán – Rio de Janeiro e As Cores do Tempo, 2007 1ª ed. – 2009 2ª ed.,Editora Calibán – Rio de Janeiro. CONTO: O Fantasma de Samoa, 2005, Editora Calibán – Rio de Janeiro. Tem participação em antologias publicadas no Brasil e no exterior. [2009] Em 2012 lançou o livro de poemas "Memória Líquida" pela Confraria do Vento, Rio de Janeiro.

PRISÃO DO EU

Mergulhei fundo no meu corpo estranho
pus frente a frente o olhar e o olho
e minhas barbas, quase pus de molho

ao ver de perto meu pensar tacanho

pelo orifício rude de um ferrolho
vi meus neurônios... vi meus rins e o baço
quase meu sonho foi-se pelo espaço

ao se avistarem o olhar e o olho

e cada órgão eu marquei com um traço
pra todos verem que mantive a calma...
só não marquei nesse mergulho a alma

por já trazê-la presa em meu cadarço



Em "Memória Líquida" (2012). 





Mais poemas no Jornal de Poesia:
http://www.jornaldepoesia.jor.br/maj.html

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Melodias



 Hey...
quais as ruas certas nesse labirinto de finais
onde é sempre meia-noite e venta?

O silêncio de todos os relógios
esperando...
puro vidro se cortando em minhas mãos.

Vazios.

Completa-me!
Faz-me atravessar!

Rochas escarpadas engelhadas em meus pés
a dançar...
E dançar e voltar.

Sê-me!

Beija minhas asas
tuas moradas
e me canta...

Teu rosto flauta doce
já tão longe
das melodias de outono que ousei sonhar.
Leila Krüger. 2012.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tatuagens

Tenho tatuagens.

 Tatuagens no rosto que enxergo em espelhos e carrego comigo aonde quer que vá. Não escolhi seus desenhos - em grande parte, nem mesmo as cores ou os tamanhos. São tatuagens. No rosto. Com tintas de amor, ódio, raiva, arrependimento, loucura, entardeceres que não vão embora, luas cheias túmidas de saudade e ruas antigas que parecem suspirar por alguma coisa que nunca há. Ou que nunca houve, dir-se-á...

Tenho tatuagens. No rosto. E se vão espalhando por braços pernas dorso, deliquescentes-belas, vão-se eternas e puras como rios de matas virgens... Tenho tatuagens de borboletas de asas cortadas, como talvez jaulas que cedam com um sopro doce de vida. Que alguém soprará... Com aroma de sol.



Leila Krüger. 2012.