segunda-feira, 20 de maio de 2013

Colo



Quando eu estava no teu colo éramos concha impenetrável. E o mundo lá fora, acontecendo rápido na hora do rush, nos prédios que observam atentamente as formigas de duas pernas lá embaixo, nas indecisões e dúvidas que atropelam as mentes sonhadoras e às vezes ainda castas; o mundo que segue, traspassando as tristezas que não cabem nos corações, triturando futuros e mastigando sentimentos com fome cruel.
         Quando eu estava no teu colo éramos praia deserta onde se descansa, onde se compreende apenas olhando o mar, pisando a areia, longe da civilização que desaprendeu a viver. E a amar. E até mesmo a ser.
         Quando eu estava no teu colo tudo bastava. Tudo explicava. Tudo era tão doce como nuvens de algodão nos teus olhos, e o sol nascendo no teu sorriso brilhante de criança grande. Só as crianças sabem sorrir, sem pensar no mundo.
         Eu deito e descubro teu colo no meu pensamento. É para lá que eu vou, pra fugir daqui. Do rush, dos prédios, dos homens-formiga e daqueles que desaprenderam as coisas essenciais.
         O amor habita em mim. O amor sou eu, quando sei que tudo é apenas amor.
         

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