terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sementes e armaduras



Por que a gente tem que envelhecer?

Se em algum lugar da alma remanesce sempre aquela criança, aquele adolescente, aquela semente recém começando a brotar sem medo de mirar o céu.
         
         E viver de uma forma simples e cândida era bobagem, e acreditar em sonhos absurdos, pueril.

Sorrir, abraçar, brincar todo dia era bobo?

         Acho que somos mais gente antes de sermos adultos. Antes de vestirmos a pesada e antiga e enferrujada armadura das pessoas que sabem viver. Das pessoas que sabem falar, que sabem fingir e que sabem fazer exatamente o que se espera que elas façam.

Creio que eu ainda tenha oito, ou quatorze, ou dezesseis anos no máximo. E essa armadura ficou muito grande, estou procurando preencher meus vazios. Eu um dia não era coberta de titânio. Eu um dia podia erguer os braços mais fácil e pular mais alto. Um dia achava que não havia tantos ecos. Dentro e fora de mim.

         Eu hoje acordei sentindo saudade daquela remota imagem animada que guardo na alma. Que você também guarda, que todos guardam e alguns jamais encontram novamente.

Aquela imagem sou eu.

         E eu não posso me esquecer de quem eu sou.

         Eu sou livre. Livre! Eu preciso de amor, diversão e fé. Deus um dia esteve mais perto. Eu um dia estive mais ciente das coisas belas.

         Mas a gente não tem que envelhecer tanto.

         O que envelhece, mesmo, é a alma. O resto apenas se transforma.

         E eu quero uma alma, de agora em diante, sem rugas e sem cabelos brancos.

         Eu quero nos olhos o brilho dourado de algo que renasce sempre.

         Eu não quero armaduras.

         Eu quero amar... crua.  

         Um dia...

Quando eu for outra vez quem eu sou. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Margeando o Caos



O poeta e contista Majela Colares está lançando novo livro. Trata-se de uma antologia bilíngue português/catalão, selecionada e traduzida pelo poeta, escritor e tradutor catalão, professor de Filosofia Joan Navarro. Em caprichada edição da Confraria do Vento, Rio de Janeiro, a antologia intitulada “Margeando o Caos/Vorejant  el  Caos” que traz na capa uma belíssima imagem do artista plástico, também catalão, Pere Salinas, abrange poemas desde o seu primeiro livro “Confissão de Dívida”, 1993, até o último, Memória Líquida, lançado em 2012. Ao todo são trinta poemas.

Majela Colares um dos mais destacados poetas brasileiros de sua geração e para alguns críticos um dos melhores nomes da atual poesia brasileira, vem  ao longo de sua carreira literária construindo uma obra linear e consistente, reconhecida por especialistas como Ivan Junqueira, André Seffrin, Fábio Lucas, Marco Lucchesi, Alexei Bueno, Jorge Tufic, dentre muitos outros. No prefácio da antologia que vem à publico, assinala o poeta e ensaísta Paulo Ferraz: “A leitura de seus poemas, de início, nos chama atenção por dois aspectos. Primeiro, porque nos possibilita conhecer um poeta que não está restrito às classificações mais didáticas no cenário da poesia brasileira, uma vez que sua dicção não se forma à sombra de nenhuma escola ou movimento específico, o que resulta em uma poética que, com consciência e segurança, incorpora as mais variadas conquistas técnicas e temáticas da modernidade, ou seja, entre agregar e segregar, Colares sempre fica com a primeira opção, é um poeta da pluralidade de recursos que transita com habilidade por variados estilos...”.

É com essas habilidades e a rara consciência poética que lhe é peculiar, que Majela Colares, um poeta jovem – ainda na casa dos 40 anos – vai a cada novo livro sedimentando cada vez mais seu nome no vasto e denso território da poesia brasileira. “Margeando o Caos/Vorejant el Caos”, será primeiramente lançado em Porto Alegre, na famosa Feira do Livro que acontece anualmente, no dia 14 de novembro, às 16h, na Praça de Autógrafos, mas acontecerão lançamentos também em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, dentre outros, no decorrer de 2014. Boa sorte Majela Colares!
                                                    Leila Krüger, romancista e poeta.