terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Ele canta...



         Eu gostaria de dar um pitaco, absolutamente pessoal, sobre a situação obscura que vive nossa Nação verde e amarela. O Brasil está dolorido, agonizante, colhendo amargas sementes que ele mesmo lançou. São mais de 12 milhões de desempregados, e a cada dia esse número fica mais robusto; a PEC do Teto dos Gastos, que corta da metade para baixo as verbas do país – sem atingir os políticos e os mais abastados –, inflação megalomaníaca (dizem que está controlada, mas não é o que se vê nos preços no supermercado), juros absurdos no crédito, inúmeras empresas fechando e demitindo em massa, um presidente reconhecido pela maioria como ilegítimo, vindo de um traumático impeachment, o segundo em menos de vinte anos – não sabemos escolher nossos governantes, o que não é nenhuma novidade. E a Lava-Jato nos mostrando, nua e cruamente, o quanto nosso Brasil se encontra atolado na lama sórdida da corrupção, da desonestidade, do jeitinho; que, lembremo-nos, não existe só no governo, mas em grande parte do povo que o elege, que não devolve o troco recebido em excesso, que sonega impostos, que não paga suas dívidas, mas usa esse dinheiro para viajar e postar nas redes sociais. Nossa moral, povo e governo, está mal.   

         Para piorar, os índices de violência e preconceito avultam-se a cada dia – do estupro ao racismo e à homofobia, defendidos às vezes por políticos promissores – e o ódio está sendo alimentado nas pessoas, o que se vê nas redes sociais, principalmente, mas também em situações corriqueiras. É fácil odiar. Difícil é assumir as próprias responsabilidades e não culpar o outro. Devíamos nos abraçar e unir, não nos aniquilar em nossas diferenças. 

         Brasil, meu Brasil brasileiro, meu mulato inzoneiro, Terra do Nosso Senhor, aonde você foi?

         E diante de tudo, o que a gente faz? Fica triste, angustiado, tem vontade de jogar tudo para o alto, de repente ir para qualquer lugar além-mar e não voltar, a gente tem noites maldormidas e se questiona sobre o futuro – se vai haver um. O futuro do país e o nosso. Eles estão entrelaçados.

         Mas aí eu me lembro de uma verdade pronunciada por Gonçalves Dias:

         Minha terra tem palmeiras / onde canta o sabiá.

E de repente eu escuto, se ficar atenta eu escuto, inacreditavelmente – ele ainda canta, baixinho e acanhado, mas canta, no nosso coração... E ele é verde e amarelo, e tão belo, e o nome dele, o nome do sabiá mágico, só pode ser assim: Esperança...